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A mostrar mensagens de 2009

Vadear

Vadear, Flutuar, Nadar, Amar. É andar no ar, Onde nem todos têm lugar, Perdido, achado Neste mundo, Engraçado. Quando deixamos, Partir a mente, Somos livres, E sentimos verdadeiramente. Soltar a alma do corpo é sublime, leva-me a sítios, nunca visitados, Tenho o dom da loucura, Por isso tenho a certeza de ser amado. Momentos em que tudo para, E ficam só as asas, Que me levam a vadear, E ao mesmo tempo amar. Flutuar algures entre o irreal, Pelo mundo que é só meu, Desprendido de emoções, Aconchegado pelas sensações. Nadar de nada, Sem os pés estarem no chão, Nado sem nadar, Amo por amar. Amor, forma simples, De encher a alma, Quem sente, entende.

Partilhar

Amor e partilha, Devem viver em harmonia, Na tristeza e na alegria, Como eu sonhei um dia. O egoísmo presente, Fruto do passado, Manifesta-se, Deixando-me mutilado. Amores perfeitos, Nome de Flôr, Com que todos sonhamos, Traz sempre dor. É difícil de entender... Que sorrir e chorar, Só faz sentido, Para quem sabe amar?

Casualidade

O tempo passa e o relógio parado, Apareceu vinda de lado algum, Entrou sem à porta bater, Encontrei um agradável ser. Por afinidades e casualidades, Embora algumas dualidades, Desabrocharam as flores no meu jardim, Pelo facto de a sentir tão perto de mim. :-) escrito com alegria

Mundo

Eu não entendo o mundo, Ou será que o mundo não me entende a mim? Boa pergunta, a qual não encontro resposta, Será fado, sina ou mala posta? Procuro respostas no vento, sol, água e ar, A natureza, simbiose do equilibrio, Onde andas tu cabeça, Que andas de pernas ao ar.

Verão

O verão a acabar, Os dias mais pequenos, O Inverno a chegar, E eu no mesmo lugar. Mais uma estação passou, Sem me sentir entendido, Resquícios de uma vida!!! Ou uma cabeça perdida? Respiro, vivo, Aqui ando deambulando, Num mundo que não me revejo, Atrás dos meus sonhos, projectos e desejos.

Procuro

Procuro um olhar, Perdido no ar, Que já encontrei, E não mais olhei. Qual a razão, deste coração! Que procura em vão um olhar, Algumas vezes encontrado, E em vão arremessado... Nostálgia na imcompreensão, Por parecer em vão, Tudo o que se me cruza, Não entende este coração.

Arquitectura da vida

Linhas rectas, Com paralelas, Esquinas redondas, Com algumas vielas. Cálculos, pêndulos e abcissas, É a arquitectura de uma vida, Organizado por oposição á desordem, Fico todo de geometria e cálculo. Não sei porque escrevo, E muito menos do que falo, Letras soltas, Como notas de música, Numa cabeça louca, que vive em outro mundo.

Paciência

Cortes, esperas e tratamentos, Exercício das práticas da paciência, Aprendi no budismo, Mais do que na própria ciência. Saber esperar é uma arte, um princípio básico da libertação, Quando bem treinado, Leva-nos a outra dimensão. Aprender a esperar, É aprender a viver, Desde que nascemos, O certo é morrer.

Saber

Quando pensamos tudo saber, É que estamos prontos a aprender, Caminhos trilhados e mente aberta, A meia idade, hora da descoberta. De permissas erradas todos vivemos, O importante é olharmo-nos ao espelho, E ver o que está além da nossa imagem, Alma e espírito que é de onde vêm o conselho.

Impurezas

Alergia...alegria Vento e frio Sabão...chavão No meu coração. Ansiedade...tranquilidade Estados d'alma, Pressa...devagar D'onde vou parar. Pensamento...vazio Vapor a entrar, Liturgia...analogia Mente a serenar. Velho... novo Todos ao meu lado, Fresco...cansado Enquanto há prazo.

Poeira

Princípios, serenidade, Independência e lucidez, Sou um afortunado, No meio de tanta ceguez. Afeto, carinho e honra, Por minha casa teres escolhido, Voa poeira, voa bem alto, Que por ti nunca andei escondido. Amor e carinho, Do mais profundo te dei, Partiste tão sereno Que já mais esquecerei. Na minha alma ficaste, E de coração cansado, partiste Poeira da minha vida, Que vazio me deixaste. Sinto-me feliz, poeira Por teres assentado na minha casa, Nunca ninguém te vai limpar, Pela razão de te amar. Alcobaça, 4 de Março de 2009 Palavras escritas á memória de um grande homen que partiu, e que pela minha fortuna era meu avô. Pedro José Coelho Guerra