Dianbulações

Chove, o dia está escuro e triste, uns salpicos de chuva caem como que envergonhados, e presenteiam a imensidão de um oceano, meu ser.
O qual algumas gotículas nada de novo trazem, a não ser pequenos sons que tocam na profundeza da alma, e emitem sons dos quais o meu ser senciente não decifra na bruma desconfortante da dor.
Olho ao espelho, passo ao de leve com a mão para limpar a humidade e nada vejo, o que quase sempre é claro por vezes fica embaciado por partículas de água, sobre as quais não consigo ver a transparência do meu ser.

Será do Inverno? Será da chuva?
São os Invernos rigorosos e inconclusivos da vida que deixam marcas, que mais que o Sol brilhe não consegue apagar.
Tento esquecer, a neblina esconde, mas não apaga, e, a pairar fica sobre a inconsciente inconstância do meu ser,
A sombra da ingenuidade feminina paira no meu mundo, e constrange a miscelânea das minhas sensações.

Por vezes apetece-me adormecer, esquecer a inquietude da minha alma, que em paz permanece pelas linhas definidas.
Uma inércia possui minhas energias constrangidas pela ausência do aconchego que não volta mais.

Olho a volta, será da Chuva? Do Inverno?
Não, são os resquícios de uma mente resolvida,
A sombra da vida, que por mais que o Sol brilhe,
Não apaga a penumbra da sensibilidade
Acrescida do meu ser.



4 de Dezembro de 2006

Pedro Guerra

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